quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Pornunça: planta boa para engordar animal e abelha produzir mel, na seca




Mistura de mandioca com maniçoba, a pornunça é a nova opção de planta forrageira que os pesquisadores da Embrapa Semi-Árido recomendam para cultivo nas áreas secas do Nordeste. Com características intermediárias entre as duas espécies, a planta é tolerante a estresses hídricos intensos e produz grande quantidade de folhas que podem ser armazenadas em fenos e silagens para alimentação animal quando a vegetação nativa do semi-árido estiver seca.

O formato das folhas e os frutos da pornunça são semelhantes aos de mandiocas. Os caules, por sua vez, são similares às maniçobas. Com isso, ela herda as qualidades forrageiras e de rusticidade de espécies bem adaptadas ao ambiente da caatinga. Para o pesquisador Josias Cavalcanti, da Embrapa Semi-Árido, a pornunça retém as folhas verdes mesmo com a seca já instalado há vários meses do ano e, além disso, tem boa capacidade de brotação se for podada no período chuvoso. É uma planta que pode ser incorporada aos sistemas de produção pecuária no semi-árido nordestino.

Na propriedade - Francês naturalizado brasileiro há mais de 50 anos, o produtor Jean Claude Vitart tem plantado em sua propriedade cerca de 20 ha de pornunça. O cultivo começou em 1999, ano em que foram iniciadas as pesquisas com a espécie na Embrapa Semi-Árido. Segundo ele, é uma planta que “agüenta tudo”, do sistema irregular de chuva na caatinga ao ataque de pragas. Além do mais, a espécie é fácil de ser multiplicada por meio de manivas – pequenos pedaços do tronco da planta. Isto é uma vantagem que ela tem sobre a maniçoba que é de difícil multiplicação, seja por estacas, seja por sementes.

Por experiência própria, o francês Jean Claude explica que, se houver umidade no solo, e a mani-va de pornunça “pega”, ela não morre mais e cresce numa “velocidade tremenda”. Se o produtor descuidar, a planta chega a crescer tanto quanto a algaroba e atingir alturas que podem chegar a seis metros. Nas áreas urbanas, a pornunça é muito usada para sombrear as frente e os quintais das residências.

Em sua propriedade, Sítio Diana, no município de Lagoa Grande (PE), ele usa a parte aérea para alimentar os animais. Segundo o pesquisador Gherman Garcia Leal Araújo, especialista da Embrapa Semi-Árido em Nutrição Animal, esta é a maneira mais importante de aproveitamento da planta, seja como silagem ou feno. A parte aérea fresca não deve ser fornecida aos animais devido ao risco de intoxicação, recomenda o pesquisador. A trituração é o processo mais importante para reduzir a toxidade e deve ser feita logo após o corte da planta.

O valor nutritivo do feno ou silagem depende da proporção de folhas adicionadas ao processo de trituração. O ideal é que elas sejam colhidas antes do período no qual começam a cair. Nesta fase, estão com seus níveis mais elevados de nutrientes. Jean Claude revela que o resultado de trituração é quase um concentrado proteinado: em 1 kg de feno, 200g são de proteínas com índi-ce de qualidade que se assemelha à da soja devido à presença dos mesmos aminoácidos presentes nesse grão.

Planta melífera - Na Embrapa Semi-Árido ainda está sendo pesquisado o potencial da pornunça como planta melífera. Nos estudos realizados pela pesquisadora Lúcia Helena Piedade Kill, está constatado que a espécie apresenta uma inflorescência muito vigorosa. Em cada nível de ramifi-cação é possível contar até 200 flores. Cada planta, portanto, forma um verdadeiro “pasto” para as abelhas nativas (meliponas) e exóticas (italiana africanizada).

Essas flores permanecem na planta por um período superior às das maniçobas e da maioria das plantas apícolas da caatinga. Além do mais, apresentam néctar que tem concentração de açúcar superior a 50% e oferta pólen diariamente. São qualidades que tornam a pornunça uma opção para integrar os sistemas apícolas do semi-árido.

Mais Informações:

Gherman Garcia Leal Araújo – Pesquisador, Embrapa Semi-Árido – tel. 87 3862 1711.
Endereço eletrônico: ggla@cpatsa.embrapa.br

Marcelino Ribeiro – Jornalista, Embrapa Semi-Árido – tel. 87 3862 1711.
Endereço eletrônico: marcelrn@cpatsa.embrapa.br

Data: 01-08-2003
Fonte: Embrapa/CPATSA

5 comentários:

  1. Estou precisando de estacas de pornunça e sementes de maniçoba.

    ResponderExcluir
  2. Olá Andrey!
    Já tentou entrar em contato com a Embrapa?!
    Talvez em grupos específicos vc tbm consiga alguma coisa!
    Desculpe não poder ajudá-lo além disso...
    Boa sorte!

    ResponderExcluir
  3. Boa noite!
    Também estou muito interessado em conseguir estacas de pornunça. Se alguém souber de algum contato compartilhe por favor.

    ResponderExcluir
  4. Favor nos informar se a raiz desidratada da pornunça pode ser oferecida para bovino ?

    ResponderExcluir