sábado, 2 de dezembro de 2017

Flores projetam halos de luz azul para atrair abelhas (estudo)

Fonte: nsc Santa


Centenas de espécies de flores desenvolveram a capacidade de projetar halos de luz azul invisíveis para os humanos para atrair abelhas polinizadoras, revelaram cientistas em um estudo publicado.
Em experimentos de laboratório, mamangavas (abelhas do gênero bombus) foram atraídas por flores sintéticas projetadas para gerar o mesmo tipo de anéis ultravioleta, segundo a pesquisa publicada na revista científica Nature.
"O efeito ocorre na parte ultravioleta do espectro óptico que não podemos ver", disse à AFP o coautor do estudo, Ullrich Steiner, pesquisador do Instituto Adolphe Merkle em Friburgo, na Suíça. "Mas as abelhas podem".
Os pesquisadores ficaram surpresos com os resultados.
Para começar, a arquitetura em nanoescala da planta produzindo esses halos azuis parece desordenada e varia significativamente de flor para flor.
"Nós sempre presumimos que a desordem que observamos nas superfícies de pétalas era apenas um subproduto acidental da vida - que as flores não podiam fazer melhor que isso", disse o autor sênior Beverly Glover, diretor do Jardim Botânico da Universidade de Cambridge.
"Mas a desordem que vemos na nanoestrutura de pétalas parece ter sido aproveitada pela evolução e acaba ajudando a comunicação floral com as abelhas".
A parceria entre os insetos e as plantas com flores começou mais de 100 milhões de anos atrás.
O mecanismo de reprodução dos animais funciona através da atração sexual. Mas as plantas, enraizadas no chão, tiveram que encontrar outra estratégia para se reproduzir. Elas precisavam de intermediários.
- Mistério resolvido -
Aí entram os pássaros e as abelhas, junto com o vento e qualquer veículo que possa transportar o pólen de uma flor para outra.
Estudos anteriores mostraram que as abelhas em busca de plantas que fornecem néctar são atraídas por odores, mas na maioria das vezes sua escolha é influenciada pelas cores e formatos das pétalas.
As abelhas são especialmente sensíveis à banda de cores no espectro de luz onde o azul se gradua em ultravioleta.
De alguma forma, algumas plantas são geneticamente programadas para "saber" disso. E, no entanto, paradoxalmente, o azul é uma cor relativamente incomum em flores.
"Muitas flores carecem da capacidade genética e bioquímica para manipular a química do pigmento no espectro azul para ultravioleta", disse a coautora Silvia Vignolini, bioquímica da Universidade de Cambridge.
Então, arrumar as moléculas nas pétalas de modo que a luz solar refletida produza um halo azul surgiu como uma estratégia evolutiva para atrair polinizadores.
Esse mecanismo evoluiu "muitas vezes em diferentes linhagens de flores, convergindo, em todos os casos, para esse sinal óptico para polinizadores", disse Glover.
Cientistas não envolvidos no estudo disseram que este respondeu algumas perguntas de longa data.
"Os dados fornecem provas abrangentes de que o halo azul é o sinal visual-chave que atrai abelhas", disse Dimitri Deheyn, cientista da Instituição Scripps de Oceanografia da Universidade da Califórnia, em San Diego.
"Um mistério foi resolvido", comentou no jornal Nature.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

AS ABELHAS QUE RECUPERAM A VEGETAÇÃO APÓS INCÊNDIOS



Este é o resultado de uma pesquisa feita pela Universidade de Bolonha, Itália, nas costas mediterrânicas italianas e tunisinas, em que confirma-se “o papel do reparador dos insetos polinizadores” nas áreas que sofreram incêndios ou devastação.
Se não existissem outras razões para lutarmos pela preservação das abelhas e insetos polinizadores - as frutas que comemos - bastaria saber que, com a ação destes animais pequeninos que voam ao vento, de flor em flor, a recuperação das áreas devastadas é muito mais rápida e eficaz, assim informa um artigo do Repubblica.it Bolonha.
Simplesmente descobriu-se que a ação das abelhas, mais até do que a de outros insetos polinizadores, é uma peça-chave na recuperação da vegetação após um desastre ambiental que, de outra maneira, levaria desertificação e empobrecimento dos solos.
A abelha se distingue dos outros polinizadores porque pode ser ajudada pelo ser humano para acelerar esse processo - basta para tal que os ramos queimados sejam pincelados com uma mistura adequada que as alimente, algo doce, claro.

O Estudo

O estudo em questão foi realizado entre 2015 e 2016, na Ligúria, em uma área propensa a incêndios. A pesquisa analisou duas áreas de 400 metros quadrados - cada uma foram selecionadas para o experimento de campo - as áreas ficavam distantes poucos quilômetros entre si. Uma delas tinha o benefício de colmeias de abelhas e a outra serviu de controle. Parcelas experimentais foram demarcadas e verificadas a cada quinzena.
Os resultados dizem que, graças à contribuição activa das abelhas em algumas espécies de plantas ocorre um aumento de mais de mais 50% na produção de sementes.
Até hoje não se sabia que as abelhas, para além de polinizarem e produzirem mel, também seriam tão indispensáveis para a manutenção da biodiversidade e para a recuperação de áreas sujeitas a vários tipos de estresse.
A abelha contribui para a polinização das plantas floríferas cultivadas (cerca de 150-200 espécies em todo o mundo) e selvagens (mais de 350 mil), incrementando esse processo reprodutivo em 75-80%.
Essa pesquisa foi realizada no âmbito do Projeto Mediterranean CooBEEration e foi realizada pelo Departamento de Ciências Agrárias da Universidade de Bolonha, com a participação do Departamento de Ciência Agrícola, Florestas e Alimentação da Universidade de Turim e do Instituto Nacional de Agronômico Tunísia
Você poderá conhecer a fundo o projeto CooBEEration aqui em pdf.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

“Viva o Parque Botânico” é lançado neste domingo

Fonte: Governo do Estado do Ceará


Neste domingo (19), às 9h, houve lançamento do Projeto Viva o Parque Botânico, na sede daquela Unidade de Conservação, na CE 090, Km 03, Itambé-Caucaia. O Projeto é de responsabilidade da Secretaria do Meio Ambiente (SEMA), por meio da gestão do Parque Estadual Botânico do Ceará.
Artur Bruno anunciou uma novidade durante o evento: o investimento para o Parque Botânico no exercício de 2018, da ordem de R$ 530.000,00 para reformas estruturais e manutenção do programa Viva o Parque Botânico. O projeto conta com o apoio de diversas instituições parceiras, tais como Faculdade de Tecnologia do Nordeste (Fatene), Colégio Master, Êxito Mercantil, Empresa Vitória e Prefeitura Municipal de Caucaia, através das suas secretarias.
Em seguida, o Secretário participou da aula inaugural do Projeto Meliponário Parque Escola, que tem como objetivo principal disseminar o conhecimento sobre as abelhas sem ferrão aos visitantes do Parque Botânico, ainda vistoriou as obras de reforma e ampliação do viveiro de mudas, que terá capacidade, após a reforma, de produção anual de 150 mil mudas. Por fim, o Secretário participou da apresentação artística dos índios Tapebas, na tenda principal e dançou com eles o Toré.
O Viva o Parque Botânico possui diversas atividades gratuitas para toda a família, e será realizado sempre aos domingos, das 8h às 12h. Dentre as atividades: dança, apresentações culturais, brincadeiras infantis, pintura facial, contação de histórias, trilhas ecológicas, doações de mudas e muito mais.
A solenidade de abertura contou com a presença do Secretário do Meio Ambiente, Artur Bruno; do secretário adjunto, Fernando Bezerra; o vice presidente do IMAC , Plínio Veras, representando o prefeito de Caucaia, Naumi Amorim; o vice presidente da FATENE, Lamark Mesquita; Suellen, representando o Colégio Master da Bezerra de Menezes; Cláudio Araújo, representando a empresa Vitória, o ex-vereador de Caucaia, Augustinho Ferreira, Conceição Reis, coordenadora de extensão da FATENE e Francisco, representando o SESC IPARANA.

sábado, 30 de setembro de 2017

Criar abelhas sem ferrão na cidade ajuda o meio ambiente, diz Embrapa

Fonte: Globo Rural

Pesquisador da dicas de como criar os insetos, que podem produzir mel em casa desde que se cuide do ambiente

Criando abelhas em casa, é possível produzir mel para consumo próprio. (Foto: Divulgação/Embrapa)
Preservar a vida das abelhas nas cidades também é um ato de preocupação com a conservação do meio ambiente. E segundo o biólogo Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental (Belém/PA), é possível criar abelhas sem ferrão em casa, desde que se tome alguns cuidados básicos com o ambiente. O benefício, além de ambiental, é que as pessoas podem produzir o próprio mel para consumo. Além disso, a atividade estimula crianças a entender a importância desses insetos na produção de alimentos.
“O Brasil precisa desenvolver técnicas de criação de abelhas em larga escala para atender a grande demanda tanto de polinização das plantas, como à produção de mel, pólen, própolis e geleia real, por exemplo”, afirma Cristiano, que estuda a biologia e o manejo de abelhas sem ferrão há 13 anos.
Criar abelhas dentro de casa, em um espaço urbano, também pode levar as pessoas a refletirem mais sobre importância de se preservar o meio ambiente. “Um benefício que vejo nessa atividade, é que a população passa a se comportar com consciência ambiental, evitando o acúmulo de lixo e preservando árvores para alimentar esses animais”, explica o pesquisador.
Cristiano ainda destaca que essa atividade, ainda pouco explorada no Brasil, é interessante porque torna possível “produzir o seu próprio mel na cidade, amenizando o impacto do choque entre o meio rural e a zona urbana”. Até mesmo as crianças podem se envolver na criação de abelhas, abrindo espaço para que elas participarem ativamente da natureza.
No entanto, para obter sucesso na atividade, Cristiano Menezes lista alguns cuidados que devem ser tomados. 
Como criar abelhas sem ferrão
- Ter noção do ambiente para as abelhas. É necessário que se more próximo à uma vegetação abundante, como perto de praças;
- Iniciar a criação com três ou quatro colmeias e ir aumentando à medida que as abelhas vão se desenvolvendo e o criador ganhando experiência;
- Manter em casa ou próximo dela, plantas ornamentais e fruteiras que são fundamentais na alimentação desses pequenos animais, como jabuticabeira, pitanga, goiabeira e até hortaliças, como manjericão. É preciso ter muito cuidado com o sol. As colmeias não podem ficar expostas ao sol das 10 horas da manhã às 3 da tarde;
- Escolher as espécies que se adaptam ao meio urbano é importante. As que mais se adaptam são a Jatair, Marmelada e Mandaguari;
- Jamais criar abelhas nativas de outras regiões, como por exemplo, uma espécie do Nordeste, como a Tiúba, na região Sul.
Os diferentes aspectos do mundo das abelhas serão discutido durante o Simpósio sobre Perda de Abelhas, em Teresina, entre os dias 16 e 18 de outubro deste ano. O evento, realizado pela Embrapa Meio-Norte, vai reunir um time de cerca de 200 experientes cientistas brasileiros e internacionais.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Rainha de abelhas sem ferrão não castra operárias

Fonte: Jornal da USP

Estudo mostra ainda que ancestrais de espécies permitiam às operárias se reproduzirem nos ninhos

Pesquisa estudou comportamento reprodutivo das colmeias e a composição química do feromônio das rainhas de 21 espécies de abelhas sem ferrão brasileiras e australianas – Foto: Gilberto Romeu Winter/Wikimedia Commons
Conflitos de classe nos ninhos de abelhas sem ferrão são resolvidos mais democraticamente que nos de abelhas europeias, como as do gênero Apis, pelo menos no que diz respeito ao comportamento reprodutivo.
Ao contrário das rainhas europeias, as representantes dos trópicos não realizam castração química das operárias. O feromônio (odor característico dos componentes químicos que revestem seus corpos) apenas sinaliza sua presença no ninho, não guardando relação com controle de colocação de ovos no ninho. E, mais, essas espécies evoluíram de um grupo ancestral cujas operárias botavam ovos mesmo na presença da rainha.
Nas colmeias de abelhas sem ferrão não somente inexiste castração química como a rainha fértil, botando ovos regularmente na colônia, traz benefícios indiretos às operárias. A tese dos pesquisadores é a de que outros fatores, além dos genéticos (veja adiante), atuam na evolução dessas características, como os ecológicos.
Esses são os primeiros achados do trabalho de Tulio Marcos Nunes, pesquisador da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, publicados em edição recente da Nature Ecology & Evolution. Nunes estudou o comportamento reprodutivo das colmeias e a composição química do feromônio das rainhas de 21 espécies de abelhas sem ferrão brasileiras e australianas.
Rainhas de abelhas sem ferrão, nativas de regiões tropicais, não realizam castração química de suas operárias – Foto: Norberto P. Lopes / Divulgação
Nem todas as espécies tinham dados comportamentais descritos pela ciência. A equipe completou os estudos com o apoio de colegas do Laboratório de Comportamento e Genética de Insetos Sociais da Universidade de Sydney, Austrália.
Já as informações dos hidrocarbonetos cuticulares (feromônio) da rainha são todas inéditas. Os pesquisadores quantificaram e analisaram cada um dos conteúdos químicos de pelo menos uma rainha de cada espécie, com a supervisão do professor Norberto Peporine Lopes, chefe do Núcleo de Pesquisa em Produtos Naturais e Sintéticos da FCFRP. O projeto que deu origem ao estudo foi financiado pela Fapesp.

Abelhas pouco estudadas

Num momento em que cientistas alertam para o possível desaparecimento de polinizadores naturais, com riscos para a agricultura, conhecimentos quanto à adaptação evolutiva das espécies sem ferrão nas regiões tropicais interessam não só aos acadêmicos.
Representantes da tribo Meliponini, esse é “um grupo de abelhas extremamente diverso e pouco estudado”, comenta o pesquisador. Popularmente chamadas abelhas sem ferrão ou abelhas indígenas sem ferrão, são nativas e abundantes no Brasil. Mas ocorrem em toda área tropical do mundo – Américas do Sul e Central, África, Ásia e Oceania. Hoje, estão descritas mais de 600 espécies com comportamento e ecologia bem variados.
Nunes espera obter informações para compreender melhor a evolução do comportamento social desses insetos, como eram suas sociedades e como estão organizadas atualmente. Mas, através dos últimos dados, conseguiu verificar como as operárias das espécies sem ferrão respondem ao feromônio da rainha (ou pelo menos à presença ou ausência dela) no controle de colocação de ovos.
E isso foi possível, não apenas observando o comportamento das abelhas em laboratório, mas analisando os compostos químicos das cutículas das rainhas. Em três espécies – Friesella SchrottkiLeurotrigona muelleri Plebeia lucii, essas substâncias eram completamente diferentes. O que, garante Nunes, indica que a “modulação da esterilidade da operária em resposta ao feromônio da rainha surgiu independentemente pelo menos três vezes”.
A distribuição da reprodução das operárias através da filogenia (estudo da evolução da espécie) indica que “a reprodução das operárias na presença de uma rainha era a condição ancestral para as abelhas sem ferrão”, conta o biólogo.

Menos zangões, menos conflitos

Ao observar a reprodução das operárias na presença ou ausência da rainha de cada uma das 21 espécies, o biólogo percebeu que não ocorria impedimento químico à colocação de ovos das operárias. “Na verdade, a presença da rainha botando regularmente no ninho é positiva, tanto para as operárias quanto para a rainha”, diz Nunes.
A rainha é responsável pela produção de toda a prole. Ela é a única fêmea a ser fecundada pelos zangões (machos da colmeia), mas não é a única a botar ovos não fecundados (que originam os zangões), algumas operárias também são. Essa produção é importante para eventual substituição da rainha (morte, por exemplo); novos machos poderão fecundar as ninfas, futuras rainhas.
O conflito genético se instala nessa situação, já que para “a rainha, do ponto de vista evolutivo, teria um maior retorno genético se ela produzisse todos os machos da colônia, que se relaciona geneticamente em 50% com sua mãe”, comenta o pesquisador. E o mesmo vale para as operárias, que têm que cuidar dos filhos da rainha.
Mas a resolução dos conflitos na colônia não se dá apenas contornando fatores genéticos. Nunes conta que a ausência da rainha sempre é sinal de conflito num ninho, porém no caso estudado, da capacidade de modular a própria esterilidade, a operária usa critérios ecológicos para não se reproduzir.
A melhor adaptação evolutiva, usando critérios ecológicos como: reprodução da colônia, tamanho do ninho, sazonalidade e comportamento, também é importante para regular conflitos. Mas o pesquisador acredita que, no caso das abelhas sem ferrão, o contingente populacional seja mais importante que o genético.
O tamanho da colmeia e a quantidade de machos produzidos podem ser fatores decisivos para que as operárias não se reproduzam, uma vez que elas só são capazes de produzir machos e eles não trabalham. “Se muitas se reproduzirem, o custo para a colônia fica muito alto”, comenta.
Rita Stella, de Ribeirão Preto
Mais informações: e-mail tulionunes@usp.br

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Queda acentuada de polinização gera impacto na agricultura

Fonte: Jornal da USP

Aquecimento global afeta produção de frutas, verduras e outras culturas agrícolas dependentes de polinização

Pesquisa busca entender como mudanças climáticas poderão impactar diretamente as culturas polinizadas e a produção agrícola. Na imagem, abelha Borá (Tetragona clavipes) – Foto: Léo Ramos / Revista Pesquisa Fapesp
O aquecimento global e as mudanças no clima podem afetar a ocorrência de polinizadores naturais. Em artigo publicado na revista PLOS One, pesquisadores avaliaram 95 polinizadores de 13 culturas agrícolas dependentes de polinização. Concluíram que quase 90% dos 4.975 municípios analisados enfrentarão perda de espécies polinizadoras nos próximos 30 anos, de acordo com informações da Assessoria de Comunicação da Escola Politécnica (Poli) da USP. Em todo o País, a probabilidade de ocorrência de polinizadores poderá ter uma queda de 13% até 2050, segundo o estudo.
Assinado por um time multidisciplinar encabeçado pela bióloga e pós-doutoranda da Poli, Tereza Cristina Giannini, o artigo Projected climate change threatens pollinators and crop production in Brazil aponta que a região Sudeste será a mais impactada, ao passo que na região Norte há possibilidade de um leve aumento da ocorrência de determinados polinizadores. Entretanto, como afirmou Tereza, atualmente pesquisadora do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável, as perdas serão maiores que os ganhos.
As culturas agrícolas estudadas foram acerola, urucum e maracujá (categorizadas como culturas agrícolas em que a polinização é essencial); abacate, goiaba, girassol e tomate (muito dependentes da polinização); coco, café e algodão (modestamente dependentes); feijão, tangerina e caqui (pouco dependentes). A dependência se deve à morfologia da flor: há flores que não precisam de polinizador animal (o vento, por exemplo, já resolve). Outras precisam que o polinizador carregue o grão de pólen de uma flor para outra, garantindo, assim, a polinização.
“Para as culturas agrícolas e os polinizadores que estudamos, esse foi o resultado. Isso não significa que esse resultado seja válido para todas as espécies”, afirmou Tereza, ponderando que no oeste da região Norte, ainda bem protegido por mata nativa, o impacto das mudanças de clima pode ser menor do que em áreas do Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil.
“É importante ressaltar as seguintes descobertas: primeiro, as perdas maiores afetam municípios com baixo PIB, o que pode impactar ainda mais os níveis de pobreza dessas regiões; e segundo, ao mesmo tempo [e em menor grau], elas afetam também um grupo de municípios muito rico, com valores de PIB muito altos que podem ser potencialmente reduzidos pelas perdas de polinizadores”, afirmou a pesquisadora.
As perdas maiores afetam municípios com baixo PIB, o que pode impactar ainda mais os níveis de pobreza dessas regiões.”
Na pesquisa o grupo usou a Modelagem de Distribuição de Espécies (MDE), técnica que determina áreas potenciais de ocorrência de espécies e projeta sua distribuição futura. Para estimar a ocorrência e localização de cada espécie polinizadora, foram usados os bancos de dados do Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria) e do Global Biodiversity Information Facility (GBIF).
“A modelagem de distribuição de espécies já tem sido usada há alguns anos. O ineditismo nesse trabalho foi a abordagem de cruzar a estimativa dos polinizadores do País, com foco nos municípios, com o impacto que isso tem na produção agrícola, município por município”, resume o professor Antonio Mauro Saraiva, do Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Computação da Poli.
Supervisor de Tereza no pós-doutorado, ele afirma que o enfoque do trabalho ultrapassa o de um mero exercício científico. “Não se trata de entender apenas como as mudanças climáticas afetarão os polinizadores, mas como elas poderão impactar diretamente as culturas polinizadas e a produção agrícola, e os efeitos econômicos disso – algo que tem uma importância social grande. Esses resultados podem ser apresentados para tomadores de decisão e produtores e a metodologia tem potencial para tornar-se uma ferramenta de políticas públicas.”
“De modo geral, achamos que a adaptação provavelmente vai acontecer com espécies que toleram amplas faixas de temperatura e precipitação. Mas isso é muito difícil de medir. Podemos mensurar a tolerância de um polinizador à mudança de calor, por exemplo. Mas como medir essa mesma tolerância se a mudança demorar dez anos para acontecer?”
Entre as espécies estudadas pelo grupo, Tereza aponta como relevantes as abelhas sem ferrão do gênero Melipona e a Tetragonisca angustula (chamada de jataí); as espécies do gênero Bombus e Xylocopa (as mamangavas); e as abelhas do gênero Centris (abelhas de óleo).
O artigo é assinado ainda por Wilian França Costa, também pós-doutorando na Poli, Guaraci Duran Cordeiro, Vera Lucia Imperatriz-Fonseca, Jacobus Biesmeijer, da Holanda, e Lucas Alejandro Garibaldi, da Argentina, além do professor Antonio Mauro Saraiva.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Prefeitura vai espalhar abelhas sem ferrão por Curitiba

Fonte: BemParana

(foto: Daniel Castellano/SMCS)
Os Jardins do Mel já têm data para implantação e ela coincide com o início da primavera, em 21 de setembro. A primeira das estações que abrigará as abelhas nativas sem ferrão ficará no Parque Barigui, na praça ao lado do Museu do Automóvel.
“A ideia da Prefeitura é criar um grande programa de polinização e de difusão do conhecimento da importância da correção ambiental”, explica o prefeito Rafael Greca. Com os Jardins do Mel, a cidade voltará a estimular a presença dos insetos, responsáveis por boa parte do cultivo agrícola e disseminação de árvores nativas.
De acordo com a diretora do Departamento de Pesquisa e Conservação da Fauna da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Marcia Arzua, nos últimos dias foram feitas as visitas técnicas aos locais que deverão receber as caixas com as colmeias e as mudas de plantas melíferas, que vão estimular a presença dos insetos.
Entre os locais definidos, além do Barigui, estão o Jardim das Sensações, no Jardim Botânico; e o Bosque Reinhard Maack, no bairro Hauer. Outros locais já confirmados são o Zoológico de Curitiba, no Boqueirão; o Museu de História Natural do Capão da Imbuia; e o Passeio Público, no Centro. “São locais que, além de facilitar a implantação do projeto, cumprem o requisito de educação ambiental”, conta Márcia. Demais pontos devem ser divulgados em breve.
A localização das caixas deve favorecer a autonomia de voo das abelhas sem ferrão, que varia de espécie para espécie, entre 500 metros a dois quilômetros. A variação depende do tamanho do corpo e das asas dos insetos. Assim, elas poderão polinizar a maior parte da cidade de forma natural, permitindo a enxameação e a volta das abelhas para a cidade.
O projeto é viabilizado em parceria pelas secretarias municipais do Meio Ambiente e da Educação, a Fundação Cultural de Curitiba e o Instituto Municipal de Administração Pública (Imap).
Educação ambiental
Fatores como a própria introdução da abelha africana para produção de mel e outros derivados, desmatamentos, queimadas, entre outros, contribuem para a diminuição da incidência da abelha nativa. No mundo, há 400 espécies e 300 delas são endêmicas do Brasil.
O repovoamento e a sensibilização para a sua importância são outros objetivos de um amplo programa, que além dos Jardins do Mel, prevê a educação ambiental para as crianças das creches e escolas municipais. “Cuidar das abelhas é cuidar da preservação de toda a biodiversidade da cidade”, reforça o professor Felipe Thiago de Jesus, responsável pela implantação no Museu de História Natural do Capão da Imbuia.