quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Pesquisa derruba mitos sobre polinização da castanheira

Fonte: Embrapa
Foto: Ronaldo Rosa

Muitas pessoas acreditam que a castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa, Lecythidaceae), uma das árvores mais exuberantes da Amazônia e de grande importância econômica para pessoas que vivem do extrativismo, depende de um único tipo de abelha para polinizar suas flores. Essa crença levava à hipótese de que, quando a árvore está isolada na pastagem, não produz frutos porque essa abelha não tem como chegar até a copa da castanheira. Isso porque acredita-se que o inseto depende das outras árvores da floresta para chegar até a copa da castanheira, que geralmente está a mais de 40 metros de altura. No entanto, pesquisas recentes derrubam essa crença. Cientistas descobriram que existem mais de 25 espécies de abelhas nativas de médio a grande porte responsáveis por levar o pólen entre as árvores de castanheira. Além disso, os estudos mostram que as abelhas têm capacidade de voar até a copa das castanheiras isoladas em pastagens.
A descoberta de que há uma grande quantidade de polinizadores da castanheira e que todos são abelhas nativas da Amazônia oferece grande vantagem a essa árvore. "Em uma situação de falta de uma das espécies de abelha, existirão outras que podem assumir o papel de polinizador, mantendo a formação de frutos, sementes e a perpetuação da castanheira", destaca a pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental (PA), Márcia Maués, que também é coordenadora da rede de pesquisa sobre polinização da castanheira-do-brasil, que vem desvendando esse e outros mitos sobre a polinização dessa árvore tão importante para a Amazônia.
De acordo com Maués, os gêneros de abelhas que mais se destacam como polinizadores da planta são: Bombus, Centris, Eulaema, Eufriesea, Epicharis Xylocopa, sendo Xylocopa frontalis, Eulaema bombiformis, Eulaema mocsaryi, Centris denudans Bombus transversalis as espécies mais frequentes. Esses insetos são capazes de voar longas distâncias e entram na flor por meio de movimentos vigorosos das pernas anteriores, acessando tanto o pólen quanto o néctar da flor. Abrir a flor é a tarefa mais difícil, por isso é que se achava que poucas espécies de abelhas eram capazes de realizar a polinização. Alguns autores chegaram a relatar que apenas uma espécie desse inseto teria capacidade de executar a polinização das castanheiras.

Castanheira em pastagens

A pesquisadora da Embrapa Rondônia, Lúcia Wadt, explica que essa dedução bem popular de que as abelhas não tem acesso às copas de castanheiras isoladas no pasto vem do fato de diversos estudos relatarem que uma castanheira isolada não pode dar frutos porque existe algum mecanismo em que a fertilização só ocorre quando a flor recebe pólen de outra árvore geneticamente diferente. Para receber esse pólen, a castanheira isolada dependeria que as abelhas polinizadoras percorressem longas distâncias de espaço vazio na pastagem.
Para desmistificar isso, foi feito um estudo de fluxo gênico em castanheiras isoladas na pastagem, em que foi possível estimar a distância entre o pai (doador de pólen) e a mãe (produtora de sementes) de uma plantinha obtida pela germinação das sementes de uma castanheira isolada no pasto. Para fazer essa estimativa de fluxo de pólen, foram coletados frutos de oito castanheiras distribuídas em uma pastagem no município de Senador Guiomard, no Acre, e obtidas as sementes para produção de mudas.
Além disso, todas as castanheiras da pastagem e outras presentes em floresta próxima, mapeadas em uma área de aproximadamente 163 ha, tiveram material vegetal coletado para extração de DNA e genotipagem em laboratório a fim de verificar uma possível paternidade. Foram genotipados também dez mudas de cada castanheira-mãe. Com os genótipos das mães, dos filhos e dos possíveis pais, foi possível identificar quais foram os pais de cada muda feita no viveiro. Esse procedimento é o mesmo utilizado em testes de paternidade.
Os resultados mostraram que houve troca de pólen entre castanheiras que estavam a distâncias variando de 104 metros a 911 metros, sendo a média 442 metros. Foram identificados pais que estavam tanto na floresta vizinha como na pastagem, e que mesmo árvores distantes sem nenhuma vegetação entre elas foram visitadas pelas abelhas, pois houve troca de pólen. "Descobrimos que a incapacidade de as abelhas voarem até a copa das castanheiras isoladas em pastagens é um mito", revela Lúcia Wadt. Essa informação pode ter impacto no interesse das pessoas em plantar a castanheira em áreas abertas como é o caso de pastagens.
A descoberta desvenda apenas uma das hipóteses da baixa produção de frutos em castanheiras isoladas em pastagens. A pesquisadora afirma que ainda não se sabe quais fatores limitam a produção das castanheiras isoladas, mas, com certeza, o microclima e condições de stress fisiológico em que essas árvores se encontram tem algum efeito. "O que não podemos mais sair dizendo por aí é que a castanheira isolada no pasto não produz frutos porque as abelhas não conseguem chegar até sua copa", conclui.
Renata Silva (MTb 12361/MG)
Embrapa Rondônia

Telefone: (69) 3219-5011 / 5041

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/
Foto: Marcelo Cavalcante

Foto: Marcelo Cavalcante

sábado, 19 de novembro de 2016

Alguém enfim esclareceu o famoso cadastro no CTF/APP.


Finalmente uma boa alma decidiu explicar para os integrantes de um grupo no whatsapp o passo a passo para cadastro no até então confuso sistema do IBAMA, o CTF/APP...
Todos os créditos são da ilustre Dra. Genna Sousa, quem divulgou no grupo, e do Dr. Wilson Gussoni.
Segue texto e link divulgados por ela:
"O Cadastro Técnico Federal (CTF/APP) é necessário para os criadores de Abelhas Nativas sem necessidade de Licenciamento Ambiental para Meliponários com até 49 caixas. No caso de apiários não há um limite de caixas preestabelecido por se tratar de espécie exótica (observar legislação especifica). O CTF é uma garantia de registro do Meliponário e ou Apiário que servirá para as devidas medidas de proteção para os criadores caso ocorra pulverizações e morte de abelhas.

Ela também me esclareceu que este cadastro só gera custos para meliponários com mais de 49 colônias de abelhas sem ferrão.

Obrigado Genna, pela excelente divulgação!


- Genna Sousa é Doutora em Ciências Agrárias, linha de pesquisa Bioecologia e Nutrição de Insetos e Microrganismos pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB; Mestre em Agronomia, linha de pesquisa Polinização pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB; Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB. Atualmente é professora Parfor/UESB e Coordenadora do Laboratório de Apicultura e Meliponicultura, onde desenvolve pesquisa utilizando a Própolis das abelhas nativas e exóticas, como substância antibacteriana, fungicida, larvicida e repelente de insetos. É Diretora de Meliponicultura da Federação Baiana de Apicultura e Meliponicultura e membro da Rede de Acadêmicos do Grupo Internacional Terra Madre na Itália. -

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Transporte de colônias afeta a estrutura genética de abelhas sem ferrão

Por: Elton Alisson | Agência FAPESP 
Prática de meliponicultores de conduzir colmeias de um lugar para outro tem feito com que o perfil genético de populações de abelhas manejadas nas Américas torne-se cada vez mais padronizado, aponta estudo ( Foto: Scaptotrigona hellwegiri/ Ricardo Ayala)
O transporte não regulamentado de colônias de abelhas sem ferrão (Apidae: Meliponini) por meliponicultores nas Américas tem feito com que o perfil genético de populações desses polinizadores-chave para diversas plantas e culturas agrícolas torne-se cada vez mais padronizado.
Um dos possíveis impactos dessa homogeneização genética poderá ser o desaparecimento de populações de abelhas melhor adaptadas a determinadas condições climáticas e ambientais, aponta um estudo internacional realizado por pesquisadores do Brasil em colaboração com colegas dos Estados Unidos, Portugal e Espanha.
Resultado de um pós-doutorado e de estágio de pesquisa no exterior, realizados com Bolsa da FAPESP, o estudo foi publicado na revista Molecular Ecology.
“Constatamos que a prática não regulamentada e sem controle de transportar colônias tem feito com que as populações das abelhas sem ferrão nas Américas fiquem geneticamente mais homogeneizadas”, disse Rodolfo Jaffé, pesquisador do Instituto Tecnológico Vale (ITV) e primeiro autor do artigo, à Agência FAPESP.
Os pesquisadores analisaram durante o estudo uma série de fatores que hipoteticamente poderiam influenciar o fluxo genético de abelhas sem ferrão, tais como a distância geográfica entre as populações, as práticas de manejo dos meliponicultores, o tamanho das abelhas, as mudanças no uso da terra (como o desmatamento) e as condições ambientais (como temperatura, elevação e chuva) de seus habitats naturais.
Para isso, analisaram dados de 135 populações silvestres e manejadas de 17 espécies de abelhas sem ferrão, distribuídas em diversos biomas tropicais nas Américas, para as quais estavam disponíveis na literatura estimativas de distâncias genéticas entre populações baseadas em marcadores moleculares microssatélites.
Com base nos dados fornecidos por esses marcadores microssatélites (pequenas regiões do DNA, que variam de um indivíduo para outro), eles estimaram o grau de isolamento pela distância geográfica – a diferenciação genética em relação à distância geográfica – das populações das 17 espécies de abelhas.
Os resultados das análises indicaram que o isolamento pela distância geográfica das populações das espécies de abelhas foi significativamente afetado pelo transporte de colônias pelos meliponicultores.
As espécies de abelhas sem ferrão manejadas apresentaram menor isolamento por distância em comparação com as espécies silvestres.
“O natural seria que, quanto maior a distância entre as populações de abelhas manejadas, maior também deveria ser a diferenciação genética entre elas. Mas não foi isso que constatamos”, afirmou Jaffé.
Os pesquisadores observaram esse padrão de menor diferenciação genética em relação à distância geográfica nas populações manejadas das 17 espécies de abelhas sem ferrão analisadas.
“Isso indica que, muito provavalmente, os melipolinicultores estejam transportando colônias de uma região para outra, e que essa prática tem causado a padronização do perfil genético dessas abelhas”, estimou Jaffé.
Impactos
De acordo com o pesquisador, o transporte de colônias de abelhas sem ferrão é uma prática comum entre os melipolinicultores e recomendada no caso de áreas desmatadas, que perderam suas populações naturais de abelhas.
Já no caso de áreas preservadas, a recomendação é manter a dinâmica natural das populações de abelhas existentes ao não introduzir abelhas de outras regiões.
“A prática de transporte de colônias de abelhas sem ferrão é delicada e deveria ser regulamentada e controlada”, afirmou Jaffé. “O transporte de colônias pode ser permitido dentro da área de distribuição natural de uma espécie, desde que as colmeias sejam saudáveis e as populações sejam previamente avaliadas”, apontou.
De acordo com ele, um dos possíveis impactos causados pelo transporte não controlado de colônias de uma região para outra é a introdução de doenças em lugares onde não existiam.
Outro problema é a perda de populações de abelhas até então isoladas, que estavam adaptadas às condições climáticas e ambientais de seus habitats naturais, e que podem desaparecer com a chegada de novas populações.
“A introdução de abelhas de um determinado lugar em outro pelo transporte de colônias tem causado a perda da diferenciação genética que existia entre as abelhas desses dois lugares diferentes”, apontou Jaffé.
Dispersão limitada
Estima-se que as abelhas sem ferrão são particularmente suscetíveis à degradação ambiental em razão de sua dispersão limitada.
As colônias-filhas das abelhas sem ferrão se estabelecem próximas às colônias-mães porque dependem de recursos de seus entes maternos durante seus estágios iniciais de desenvolvimento.
A dispersão limitada desse grupo de abelhas, que são essenciais para a reprodução de muitas espécies de plantas e polinizadores críticos para diversas culturas agrícolas, torna-as particularmente sensíveis a mudanças no uso da terra, como as provocadas por desmatamento, explicou Jaffé.
“Se uma área de floresta primária é desmatada, as abelhas que habitavam aquele local terão dificuldade de se deslocar para outra região e encontrar outro habitat em razão de sua dispersão limitada”, estimou o pesquisador.
Estudos anteriores estimavam que a degradação dos habitats naturais também poderia dificultar o fluxo de genes das abelhas sem ferrão e conduzir ao esgotamento da diversidade genética, aumentando o risco de extinção de populações desses animais. E que a topografia, temperatura e níveis de precipitação também poderiam influenciar os padrões de diferenciação genética das populações de abelhas.
Os pesquisadores verificaram durante o estudo, contudo, que os fatores ambientais e o desmatamento não tiveram efeito sobre a diferenciação genética das espécies de abelhas analisadas.
“Essas espécies de abelhas sem ferrão estão conseguindo se dispersar e manter fluxo genético através de diferentes gradientes altitudinais, padrões de temperatura e de precipitação e em áreas desmatadas”, afirmou.
Essa constatação sugere que para assegurar a conservação dessas espécies de abelhas sem ferrão não é tão importante manter a conectividade entre as populações, uma vez que já estão conectadas, mesmo em áreas desmatadas. Mas, sim, promover a manutenção e a recuperação de ambientes “amigáveis” aos polinizadores – onde existam recursos suficientes para o estabelecimento das colmeias e a alimentação das abelhas–, apontou Jaffé.
“Uma vez que essas abelhas conseguem se dispersar por ambientes heterogêneos, elas precisam de ambientes com recursos suficientes para estabelecer seus ninhos e de flores para se alimentar de seu néctar”, afirmou.
O artigo “Beekeeping practices and geographic distance, not land use, drive gene flow across tropical bees” (doi: 10.1111/mec.13852), de Jaffé e outros, pode ser lido na revista Molecular Ecology emonlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/mec.13852/abstract;jsessionid=6ABAA791F75815FE8EA88AF8AEC8DAC7.f01t02.

domingo, 16 de outubro de 2016

Dia Mundial da Alimentação

16 de outubro é o Dia Mundial da Alimentação!!
Então que tal falar um pouco sobre um doce e nutritivo alimento?! O mel:

Fonte: Wikipédia


O mel é o único produto doce que contém proteínas e diversos sais minerais e vitaminas essenciais à nossa saúde. Além do alto valor energético, possui conhecidas propriedades medicinais, sendo um alimento de reconhecida ação antibacteriana.
mel, assim como a cera produzidas pelas abelhas eram de extrema importância para os nativos das Américas. O mel era consumido ao natural ou usado para adoçar outros alimentos. A cera de abelha era usada na confecção de instrumentos musicais, na vedação de utensílios, como cola, polimento e lubrificação de artefatos e também na iluminação[32].
Os Asteca do México incorporavam o mel nas suas refeições matinais. As classes mais baixas tomavam atole (pasta de milho com água quente) adoçada com mel ou temperada com pimenta. As classes abastadas tomavam chocolate com mel e baunilha, ou milho adocicado, pimenta ou suco fermentado de agave[33].
Os Panará de Mato Grosso[34], os Parakanã do Pará[35] assim como os Kaiapó da Amazônia[36] e os Tapirapé[37] e os Bakairi[38] de Mato Grosso buscavam em suas coletas o mel, que adoravam. As mulhetes dos nativos Erigpagtsá ou Canoeiro do rio Juruena, no Mato Grosso, faziam um furo na casca do fruto do cacau, através do qual misturavam os caroços com a polpa e adicionavam mel. A iguaria era oferecida aos homens que comiam o conteúdo quebrando o fruto[39]. Entre os Surui de Rondônia os futuros pais faziam festa servindo bebida feita de mandiocaaçaí e mel aos convidados, mas os anfitriões não podiam bebê-la[40].
Além de o saborearem ao natural, nativos do rio Negro faziam um prato cortando o abacaxi em quatro e o ralavam com a casca. A massa era misturada ao mingau de tapioca e cozida com mel[41]. Os Wari de Rondônia coletavam e consumiam até o início do século XXI frutos de vários tipos de palmeiras como patauáinajátucumãburitibabaçu e pupunha. Estes e outros frutos eram consumidos puros ao longo do dia ou acompanhados de bebidas doces feitas de milho, mel, tubérculos ou frutos[42].
Na década de 1940, enquanto os homens partiam em viagens de caça com o arco e flecha, uma rede de dormir às costas e espigas de milho, as mulheres dos Tupari do Pará faziam excursões diárias à floresta em busca de pequenos peixescaranguejos e outros crustáceos e larvas de insetos, que eram consumidas com mel[43].
Os Paresi, do Mato Grosso, eram uns dos poucos índios da América do Sul que domesticavam abelhas. Mantinham-nas em cuias com duas aberturas, uma para a entrada dos insetos e outra, bloqueada com cera, por onde eram retirados os favos[44]. Muitas tribos, como as que habitavam a Sierra Nevada de Santa Marta, na Colômbia, e as do oeste da Venezuela e os Maia de Cuitamal (México) praticavam a meliponicultura, ou seja, criavam abelhas para obtenção do mel. Indígenas das Américas criavam abelhas sem ferrão dos gêneros Trigona ssp. e Melipona spp.. Com a introdução das abelhas com ferrão do gênero Apis spp. pelos europeus a partir de 1622 índios do México e América Central lideraram sua domesticação e criação[45].
Os Araweté do Pará ainda valorizam sobremaneira o consumo de mel de abelhas e vespas e os classificam em 45 tipos, comestíveis ou não. Associam a época de seu intenso consumo, que se inicia em setembro, à chegada à aldeia do espírito do Ayaraetã, o pai do mel, atraído pelos chamãs[46].
Os Kaiapó da Amazônia conheciam mais de cinquenta espécies de abelhas e as comiam cruas, assim como os marimbondos[36]. Os Rikbaktsa do Mato Grosso empregam o mel como adoçante, misturado à água e para adoçar uma grande variedade de refrescos e sopas feitos de inúmeros vegetais[47].
Quando algum índio Cinta Larga do Mato Grosso em viagem ou caçada encontrava árvore com colmeia na floresta ele marcava o local e dias depois organizava excursão para retirar o mel. Também era o responsável por limpar o local, orientar a derrubada da árvore, remover os favos e distribuí-los aos companheiros, ficando com a maior parte para ele e sua família[48]. Quando a colmeia era no solo os índios que estavam na frente colocavam um pedaço fino de madeira na entrada. Os que estavam atrás cavavam buracos que chegavam a três metros de profundidade para chegar à colmeia[49].
Os Botocudo de Minas Gerais quebravam com pedras o tronco da árvore que continha a colmeia expondo os favos. O mel era coletado com cascas de árvores e devorado[50]. Transportavam o mel embebido em grandes bolas feitas do miolo do tronco de uma árvore[51]. Os Parakanã do Pará derrubavam as colmeias das árvores e para transportar o mel, envolviam os favos em pínulas da palmeira jussara[35]. Outra maneira de alguns índios transportarem o mel era colocá-lo em uma vasilha confeccionada com folhas sobrepostas e amarradas pelas duas extremidades[52].
Em algumas tribos amazônicas acreditava-se que a pessoa que estava plantando milho não podia se aproximar do fogo, não podia ter contato com certos peixes, principalmente os que se alimentavam de folhas e o mel da abelha jandaíra lhe era proibido[39]. Os Kaiapó da Amazônia acreditavam que o grande herói e feiticeiro mitológico Bep-korôrô-ti morava nas nuvens e alimentava-se de mel e para obtê-lo lançava ventos e relâmpagos para quebrar galhos e derrubar árvores. Para acalmá-lo os índios ofereciam a ele oferendas e alimentos. Supunham também que os marimbondos possuíam sociedade semelhante à do homem[36].

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Abelhas sem Ferrão: é conhecendo que se pode conservar

Fonte: Jornal Valença Agora


Popularmente conhecidas como abelhas sem ferrão, as Meliponas, dentre várias características, não apresentam um ferrão funcional como o que está presente nas conhecidas abelhas “europeias, africanizadas ou italianas”,pertencentes ao gênero Apis. Diferentes destas, umas das principais formas de reconhecimentos das abelhas sem ferrão na natureza é pela entrada do ninho.Algumas espécies possuem a arquitetura formada por barro (Meliponas, exemplo uruçu-verdadeira) e outras formada por resinas (Trigonas, exemplo jataí), (Fig. 01). Algumas apresentam o corpo robusto, coberto de pêlos, amarelos e são facilmente confundidas com as abelhas africanizadas.Outras apresentam o corpo com cores intensas e metálicas, as conhecidas abelhas das orquídeas. Algumas podem ser pequenas, de cor preta e parecidas com “mosquitinhos”. Podem construir seus ninhos em ocos de árvores, no chão ou em fendas de construções como alvenarias. Dentro da colmeia estão presentes os discos de cria(Fig. 02), que dependendo da espécie podem estar organizados em “degraus”, empilhados um em cima do outro,separados por pequenos pilares de cera, ou podem ser em formas de “cachos”.


Figura 1- Entrada do ninho deuruçu-amarela (Melipona mondury). Foto: Acervo pessoal

Dentre as espécies de abelhas sem ferrão que ocorrem na Bahia, em especial na região Baixo Sul, onde o município de Valença está localizado, podemos destacar: uruçu-verdadeira (Melipona scutellaris), uruçu-amarela (M. monduri), jataí (Tetragonisca angustula), arapuá/ irapuã ou abelha-cachorro (Trigona sp.). Dentro da colmeia, estão presentes as operárias, que realizam a coleta de materiais na natureza importantes para a manutenção do enxame, além da abelha rainha, zangão e “princesas” (abelhas jovens que se tornarão as futuras rainhas) (Fig. 03). A depender da espécie, podem ser encontrados de 2.000 a 5.000 mil indivíduos/colmeia, que junto com as condições ambientais e principalmente o pasto meliponícola local (espécies de plantas que são fontes de alimento para as melíponas), podem ser produzidos 2 ou 2,5 litros de mel/ colmeia no período de 1 ano.Assim, esse grupo de abelhas,além de possuírem um comportamento menos defensivo, torna-se uma excelente proposta para complementação da renda de agricultores familiares. É importante agente lembrar que a principal função das abelhas na natureza é polinizar as flores, e não produzir o mel, o pólen (samburá), a resina, própolis (geoprópolis),cera entre outros produtos conhecidos.Todos esses itens que existem na colmeia são resultados secundários, fruto, do trabalho das operárias.

Esse processo de polinização ocorre quando o pólen que está numa flor (macho) é carregado pela força do vento, da água, até mesmo de forma artificial pelas mãos do homem, e por várias espécies de insetos, e cai sobre a parte feminina de outra flor.Entre os insetos, as abelhas sem ferrão destacam-se por realizarem mais de 60% da polinização de várias culturas, sobretudo as de potencial alimentícios. Logo, essas abelhas são responsáveis pela manutenção de várias espécies de plantas nativas, como por exemplo leucena (Leucaena sp.), baraúna (Schinopsissp.), além de possuírem afinidade em visitar outras plantas introduzidas, e frutíferas que estão presentes nos quintais de nossas casas, como por exemplo a goiaba (Psidiumguajava), a jabuticaba (Myrcia sp.). Contudo, a partir de mais estudos, conhecimentos e divulgação de informações sobre as características, comportamento e importância do papel das abelhas sem ferrão na natureza a real e contínua conservação das espécies desse grupo de insetos, de fato,  acontecerá.


Figura 2- Interior do enxame de uruçu-amarela (Meliponamondury); (A) Abelha rainha e (B) operárias da espécie. Foto: Acervo pessoal

Zaline dos Santos Lopes1
1Bióloga, Mestre em Genética, Biodiversidade e Conservação, Professora substituta – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano –campusValença-BA

sábado, 24 de setembro de 2016

Instituto Vital Brasil produz soro contra picadas de abelhas africanas

Fonte: O São Gonçalo


O Instituto Vital Brazil (IVB) está produzindo um soro antiapílico, inédito no mundo. O material será usado contra picadas de abelhas africanizadas, o tipo mais comum na América Latina, e, pela primeira vez na história científica, um antiveneno será testado em seres humanos. A pesquisa é realizada, há quatro anos, em parceria com o Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap), da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Segundo o diretor científico do IVB, Rafael Cisne, há cerca de 11 mil acidentes com abelhas por ano no Brasil, com média de 140 mortes. Até então, os sintomas eram tratados com anti-inflamatórios e esteroides, que poderiam conduzir a um choque anafilático do paciente. “O soro antiapílico é inédito em todo o mundo e esta será a primeira vez que faremos testes de um antiveneno em seres humanos. O IVB e a Cevap estão na condução de um processo global de pesquisa e produção desse medicamento. Após a liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), já produzimos um lote com 1,2 mil ampolas para começarmos os testes clínicos”, explicou Cisne.
Há três meses, pesquisadores dos centros de pesquisa da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, da Universidade do Sul de Santa Catarina e do Cevap receberam treinamento para administrar o soro. Os testes clínicos devem começar em breve, com 20 pacientes nas três instituições. Nessa etapa, serão avaliados os efeitos do medicamento e a dose mínima para os indivíduos, entre outras informações importantes.
“Pode parecer óbvio, mas não vamos inocular veneno de abelha em ninguém para realizarmos os testes. Quando um incidente com abelhas for detectado, vamos oferecer o soro antiapílico. No entanto, entre os critérios de inclusão, o paciente precisa assinar um termo de consentimento com a pesquisa e ter mais de cinco picadas de abelha africanizada”, disse o diretor científico do IVB.
A fase de testes clínicos deve durar cerca de 18 meses. Em seguida, terá início a etapa de farmacovigilância, quando o medicamento será disponibilizado para o Sistema Único de Saúde (SUS) e continuará sendo monitorado por 30 meses pelos pesquisadores.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Apicultores conseguem proibir Monsanto no México

Fonte: NossoFoco



Um grande número de países em todo o mundo têm conseguido  proibir os OGM ou “ Transgênicos”  da Multinacional Monsanto e os pesticidas associados a eles. Quando não  –   promovem restrições severas contra sua utilização.



Isto vem acontecendo cada vez mais, pois o mundo está demonstrando  uma  resistência em massa contra a Monsanto e outras gigantes da biotecnologia que fabricam  e distribuem os OGM  , “ Transgênicos “e seus pesticidas.


Esta resistência também é resultado de inúmeros estudos que surgiram mostrando os perigos ambientais e de saúde que estão associados aos pesticidas –  “ agrotóxicos” – , bem como os perigos para a saúde associados aos “ Transgênicos” !.

O último país a fazer manchetes no que diz respeito à proibição de produtos da Monsanto foi o México, através de uma ação bem sucedida por parte de um grupo de apicultores  que conseguiram proibir o plantio de soja transgênica e seu herbicida associado : o Round-up.  E todos os produtos da multinacional Monsanto.

MONSANTO PERDE AUTORIZAÇÃO NO MÉXICO


Monsanto havia recebido uma autorização para plantar suas sementes em mais de 250.000 hectares de terra.
Apesar disto, milhares de cidadãos, apicultores, Greenpeace, agricultores maias, o Instituto Nacional de Ecologia e outros grandes grupos ambientalistas protestaram contra e conseguiram derrubar esta autorização.

“Um juiz do distrito no estado de Yucatán, no mês de Maio de 2016,  anulou uma licença emitida em 2012 pelo Ministério da Agricultura do México para a Monsanto, que permitia o plantio comercial de soja transgênica associada ao herbecida Round-up.

O juiz foi convencido pela evidência científica apresentada, sobre as ameaças das culturas de soja transgênica na produção de mel nos estados de Campeche, Quintana Roo, Iucatã e  na península de Yucatán. Produção de mel e transgênicos não podem coexistir juntos, decidiu o juiz. “

E o motivo é muito claro: O México é o quarto maior produtor de mel e o quinto maior exportador do mundo!

Estes pesticidas da Monsanto  ESTÃO MATANDO AS ABELHAS e os apicultores não podem exportar pólen advindos de  culturas geneticamente modificadas.
Além disso, as colônias de abelhas começaram a diminuir muito rapidamente, segundo relatórios:

“Culturas transgênicas poderiam devastar o importante mercado de exportação europeu para os apicultores mexicanos, onde a venda de mel contendo pólen proveniente de culturas transgênicas foi restringida  através de uma decisão histórica em 2001 pelo Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias.”
E mais um estudo revelou que o pólen de culturas transgênicas ameaçava a indústria Mexicana de Mel. Além do “desaparecimento” maciço de abelhas da região.

“David Roubik, cientista sênior do Instituto de Pesquisa Tropical Smithsonian, e seus colegas desenvolveram a capacidade de identificar grãos de pólen no mel do Panamá e do México durante os anos 1980 e 1990, quando  estudavam os efeitos da chegada de abelhas africanizadas e de  abelhas nativas . “Ninguém mais pode fazer este tipo de trabalho neste ambiente e não ficar confiante de que o que eles estão vendo são grãos de pólen de soja “, disse Roubik.

Eles descobriram que seis amostras de mel de nove colméias na região do Campeche continha pólen de soja, além de pólen de muitas espécies de plantas selvagens. O pólen veio de culturas perto das colónias de abelhas em vários pequenos apiários.

Devido aos regulamentos europeus rigorosos, os agricultores rurais em Yucatan no México enfrentaram reduções de preços significativas ou a rejeição do seu mel, pois seu produto continha pólen de culturas “ Transgênicas”  que não são recomendadas para consumo humano.

As autoridades agrícolas regionais, além disso, pareciam não perceber que as abelhas visitaram campos de  soja com flores para coletarem néctar e pólen “

Existem múltiplas razões de interesse, e uma delas tem a ver com as culturas que foram geneticamente manipuladas para resistir aos pesticidas ou “ agrotóxicos” da Monsanto.
Simplesmente por que estes pesticidas são altamente prejudiciais para saúde humana e animal.
Um estudo foi publicado na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos e na revista Food and Chemical Toxicology  que mostra como vários estudos recentes ilustram o potencial do glifosato para ser um disruptor endócrino.

Desreguladores endócrinos são substâncias químicas que podem interferir no sistema hormonal em mamíferos. Estes disruptores podem causar distúrbios no desenvolvimento, defeitos no nascimento e causar tumores de câncer.

Um grupo de cientistas reuniram uma ampla revisão dos dados existentes, que mostram como os reguladores europeus possuem conhecimento de  que o glifosato da Monsanto provoca uma série de malformações congênitas, pelo menos desde 2002.

Estes reguladores estão enganando o público sobre a segurança do glifosato. Na Alemanha, o Departamento Federal de Defesa do Consumidor e da Segurança Alimentar disse à Comissão Europeia que não havia nenhuma evidência para sugerir que o glifosato causasse malformações congênitas.
No entanto, um novo estudo na Alemanha concluiu que o resíduo de glifosato pode chegar a seres humanos e animais através da alimentação e pode ser excretado na urina.
Ele descreve como a presença de glifosato na urina e sua acumulação em tecidos animais é alarmante, mesmo em baixas concentrações.

Um estudo recente realizado por pesquisadores da RMIT University, e publicado no Research Journal Environmental descobriram que uma dieta orgânica por apenas uma semana e isenta de pesticidas, reduzirá significativamente  (comumente utilizado na produção de alimentos convencionais) a sua exposição em adultos.

Treze participantes foram selecionados aleatoriamente para consumir uma dieta composta de pelo menos 80% de alimentos orgânicos ou convencional  por  precisamente sete dias, depois de cruzar para a dieta alternativa de onde eles começaram.

Níveis urinários foram usados para análise. O estudo constatou que nas medições dialkylphosphates urinário (DAPs) ,foram  constatados que 89% estavam menores de quando começaram uma dieta orgânica, durante sete dias, em comparação a uma dieta convencional para a mesma quantidade de tempo.

“Muitos destes agentes foram inicialmente desenvolvidos como gases neurotóxicos para serem usados na guerra química, por isso sabemos que eles têm efeitos tóxicos sobre o sistema nervoso em doses elevadas e a produção de alimentos convencionais comumente utiliza pesticidas organofosforados, que são neurotoxinas que agem sobre o sistema nervoso dos seres humanos através do bloqueio de uma enzima importante.
Estudos recentes levantaram preocupações para seus efeitos na saúde destes produtos químicos mesmo em níveis relativamente baixos.
Este estudo é o primeiro passo importante na expansão da nossa compreensão sobre o impacto de uma dieta orgânica “- Dr. Liza Oates


Por isso,  é ótimo ver países como o México tomar  medidas severas para terem um  ambiente completamente  livre dos “ Transgênicos ou OGM.