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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

SUPORTE PARA TRANSFERÊNCIA DE GARRAFA PET

Navegando pelos confins da internet, eis que encontro uma bela engenhoca que com certeza evitará muitas das atrapalhadas na hora de transferir um enxame capturado em garrafa PET para uma caixa racional.
Este invento é bem simples e parece ser muito prático! (ainda não o testei) Mesmo porque foi elaborado por um Meliponicultor, o Biólogo Paulo Sirks, do Meliponário Senhor da Mata, e por isso deve ser muito útil e funcional!
"Assistindo vídeos de transferências verifiquei que todos apanham um pouco com o manuseio das iscas. Para se trabalhar mais á vontade e com segurança criei esse suporte que compartilho com vocês." Disse Paulo Sirks.

Explicações nas fotos:







domingo, 4 de outubro de 2015

6 formas de ter mais abelhas polinizadoras em sua horta ou jardim

de Cidades Verdes

Elas são extremamente benéficas para as plantas e alguns frutos só se desenvolvem com o seu trabalho; veja quais espécies de flores e ervas aromáticas elas adoram

POR TERESA RAQUEL BASTOS

abelha-flor-inseto-mel-colmeia (Foto: Pierre Guezingar/CCommons)
Dia 3 de outubro é comemorado nacionalmente o Dia da Abelha. Ela está entre os 6 insetos amigos da horta. Mas muitas vezes são esquecidas ou até exterminadas devido às picadas que podem dar quando se sentem ameaçadas em seu habitat. Entretanto, ter abelhas por perto é extremamente benéfico para a agricultura, pois elas são responsáveis pela polinização de plantas e, com isso, podem aumentar a produtividade, como no caso do açaí, melhorar a formação de frutos, como no caso do morango, e deixar os jardins mais floridos.
Especialistas da fundação A.B.E.L.H.A. listaram seis formas fáceis de trazer as abelhas para perto da sua horta ou jardim.Em alguns lugares do planeta, as abelhas têm sumido e gerado um colapso na produção de alguns frutos. De forma direta ou indireta, mais de 70% da alimentação humana dependem diretamente da polinização e, logo, das abelhinhas. Por isso, respeitá-las e preservá-las é dever de todos. Caso contrário, a população mundial morrerá de fome ou perderá a grandediversidade de alimentos.
1- Flores coloridas e plantas aromáticas
As abelhas são atraídas pelas flores e plantas aromáticas, especialmente as pequenas, de cores mais claras (branca e amarela - as flores vermelhas como a rosa, são mais atrativas para pássaros) e  com floração em massa, ou seja, que floresce tudo de uma só vez e não gradativamente.
Ter opções coloridas atraem os insetos, além de deixar o jardim bem mais bonito. As favoritas delas são manjericão, funcho, malva, manjerona, orégano, alecrim, dente de leão, tomilho, hortelã, margaridas, girassóis, entre outras; 
2- Plantas apícolas
Invista em espécies que atraem as abelhas. Malícia, sapateira e urucu são alguns exemplos.
3- Plantas nativas
Complemente o seu jardim com plantas nativas, pois as abelhas se sentem atraídas pelas espécies entre as quais sempre viveu cercada;
4- Água e abrigo
Além de plantar flores silvestres, frutas e vegetais, é necessário lhes fornecer água e abrigo, e também, permitir que os jardins locais detenham uma pequena fauna. Galhos caídos, árvores, etc, podem ajudar as abelhas a fazerem as colmeias.
As abelhas preferem árvores de pequeno porte, como as da família  Myrtaceae: goiabeira, jabuticabeira, pitangueira. Já das árvores de porte grande são preferíveis as de abacate e lichia, por exemplo.
Palmeiras em geral também são bem atrativas para as polinizadoras, o que é uma vantagem para os que gostam de jardinagem;
5- Gentileza gera gentileza
Se você respeitar o espaço das abelhas, mesmo as com ferrão (como a espécie  mais comum no Brasil, a apis mellifera, ou africanizada, como é conhecida) não trarão problemas. Se algum morador da casa ou apartamento for alérgico, há diversas espécies sem ferrão que são gentis e procuram os jardim apenas para água e alimento;
6- Não use fumo na horta
As abelhas fogem de produtos à base de neonicotinóides, ou seja, com fumo na composição. Elas podem morrer ou deixar o espaço por causa desse químico;

Agora é só compartilhar essas informações com seus vizinhos para que eles também permitam que as abelhas polinizem plantas e flores! A vida agradece!

sábado, 3 de outubro de 2015

Edital FNMA 01/2015 - Recuperação de Áreas de Preservação Permamente para Produção de Água

Fonte: Ministério do Meio Ambiente

banner edital fnma300x160O Fundo Nacional do Meio Ambiente lançou o Edital FNMA 01/2015 – Recuperação de Áreas de Preservação Permanente para a Produção de Água, em 22 de setembro de 2015. O edital tem como o objetivo promover a seleção de propostas que receberão recursos financeiros, não reembolsáveis, para realização de ações de recuperação florestal em áreas de preservação permanente localizadas em bacias hidrográficas cujos mananciais de superfície contribuem direta ou indiretamente para o abastecimento de reservatórios de regiões metropolitanas com alto índice de criticidade hídrica.


Os recursos do edital, no valor total de R$ 45 milhões, resultam da parceria entre o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Justiça e a Caixa Econômica Federal, por intermédio de seus órgãos de fomento e de apoio à gestão dos recursos hídricos no país. São eles:

Fundo Nacional do Meio Ambiente/MMA

Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal/SFB

Fundo Nacional sobre Mudança do Clima/MMA

Fundo de Defesa de Direitos Difusos/Ministério da Justiça

Fundo Socioambiental Caixa/CEF

Agência Nacional das Águas


As propostas deverão ser apresentadas no Sistema de Convênios do Governo Federal – SICONV, até 08/11/2015. 

As seguintes instituições poderão apresentar propostas em atendimento ao Edital FNMA 01/2015: 

- Instituições públicas municipais;

- Instituições públicas estaduais;

- Instituições privadas sem fins lucrativos, conforme informações no edital;

- Concessionárias de abastecimento de água, conforme informações no edital.


Para mais informações, confira o texto do edital: Edital FNMA 01/2015

O FNMA realizará um evento de capacitação sobre o edital em Brasília em outubro. Maiores informações serão publicadas nesta página em breve. Poderão participar até duas pessoas de cada instituição proponente.  

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03 DE OUTUBRO — DIA DA ABELHA

No dia 03 de outubro comemora-se o Dia da Abelha, um inseto que se destaca pela sua capacidade de produzir o mel.



No dia 03 de outubro é comemorado o Dia da Abelha, um inseto de extrema importância econômica e ecológica. Existem aproximadamente 20 mil espécies diferentes de abelhas no mundo. No Brasil, a mais conhecida é a abelha africana (Apis mellifera).
Uma das características mais marcantes das abelhas é a sua organização em sociedade, na qual três indivíduos diferentes podem ser observados: as rainhas, as operárias e os machos. As rainhas realizam a postura dos ovos e organizam a colmeia pela produção de um feromônio. Uma abelha-rainha pode ser considerada como a mãe de todos os indivíduos da sociedade.
Geralmente cada sociedade apresenta apenas uma rainha, mas existem relatos da existência de colmeias com mais de uma. Na espécie Apis mellifera, a rainha pode viver até cinco anos e, em condições de grande florada, podem pôr cerca de 3000 ovos diariamente.
As operárias são abelhas fêmeas responsáveis pelo trabalho da colmeia, e as suas atividades dependem de sua idade. São elas as responsáveis pela defesa da sociedade, conseguir alimento e também pela manipulação dos materiais para a construção da colmeia, tais como barro e cera. Normalmente, esse grupo representa cerca de 80% de todos os indivíduos de um enxame.
Os machos, também chamados de zangões, são indivíduos responsáveis pela reprodução, atuando, em algumas espécies, apenas no acasalamento. Em outras espécies, no entanto, podem atuar em algumas tarefas da colmeia, como a manipulação da cera. Após a fecundação, o macho morre por perder uma parte dos seus órgãos sexuais.
As abelhas são importantes economicamente por fornecerem mel, além de serem responsáveis pela fabricação de outros produtos, tais como a cera,própolis, pólen apícola, geleia real, entre outros. Além disso, por ajudarem na polinização – transporte de células reprodutivas masculinas da planta até a parte feminina da flor –, estão relacionadas com a sobrevivência de várias espécies de plantas, sendo fundamentais para o aumento da produtividade agrícola.
Algumas espécies de abelhas são criadas pelo homem, uma atividade denominada de apicultura. Essa produção surgiu com a inserção das abelhasApis mellifera em 1839. Essa prática, todavia, só se tornou amplamente difundida pelo país a partir da década de 70.
O avanço da apicultura está relacionado principalmente com as descobertas das várias propriedades do mel, um produto natural extremamente admirado ao redor do mundo. Esse produto tem sido usado na indústria alimentícia, para fabricação de cosméticos e fins terapêuticos. Nesse último caso, destaca-se sua importância como repositor de glicose, reparação da mucosa intestinal, agente anti-inflamatório e cicatrizante, tratamento de úlceras gástricas, entre várias outras aplicabilidades.
Diante da importância tanto econômica quanto ecológica, fica clara a importância de se ter um dia dedicado a esse importante inseto.

Por Ma. Vanessa dos Santos em Brasil Escola

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Com própolis e sem ferrão

 Por 
abelha voando e produzindo própolis
Para quem procura grandes volumes, as abelhas brasileiras sem ferrão parecem insuficientes. Mas em questões de especialidade, qualidade e variedade, elas voam disparadas à frente das concorrentes europeias e africanizadas. Essa verdade se aplica tanto ao mel como ao produto comercial mais recente, em fase de pesquisa acelerada: o própolis (ou a própolis, já que se trata de um substantivo de dois gêneros).
Várias equipes de pesquisa trabalham juntas, por exemplo, para desenvolver o própolis da moça-branca(Frieseomelitta longipes) como base para medicamentos contra afecções da pele ou de mucosas, com propriedades cicatrizantes. Também chamada de marmelada, essa espécie é nativa do Pará e produz um própolis de aroma agradável, com um quê de baunilha e notas de madeira (como diria um perfumista).
O própolis é usado pelas abelhas para tapar frestas e buracos em seus ninhos, protegendo-os contra bactérias, fungos e outros microrganismos prejudiciais. Para fabricá-lo, elas coletam resinas de plantas e misturam à cera que produzem, formando uma barreira física e química. Na coleta, as abelhinhas mordem a planta, que então secreta a resina para tapar o ferimento e se proteger contra patógenos.
Ocorre que a composição do própolis varia conforme as plantas escolhidas para retirada da resina e conforme o comportamento de cada espécie de abelha: algumas misturam as resinas com barro, por exemplo, e outras com cera. A quantidade de cera misturada também varia, resultando num própolis pegajoso ou resinoso ou mais sólido ou mais líquido. Enfim, “temos cerca de 200 espécies de abelhas sem ferrão no Brasil, então são pelo menos 200 tipos de própolis diferentes, com teores diferentes deantioxidantes e substâncias aromáticas. E se as mesmas abelhas escolhem outras plantas para tirar resina, o própolis muda. Ou seja, é uma riqueza inexplorada, praticamente desconhecida, que agora apenas começamos a estudar”, diz o biólogo e doutor em Entomologia, Cristiano Menezes, da Embrapa Amazônia Oriental, de Belém (PA).
Ele estuda a biologia reprodutiva de F. longipes, com seu orientando, o estudante de iniciação científica Hayron Kalil Cardoso Cordeiro, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). O objetivo é desenvolver métodos de captura, manejo e multiplicação das colmeias dessa abelhinha, para repassar a produtores interessados em comercializar própolis. A expectativa é ter instruções técnicas prontas até o fim do ano. “Acredito que a criação dessa abelha seja bem adequada para Sistemas Agroflorestais (SAFs), com potencial para a geração de renda extra, sem conflito com os produtos agrícolas e florestais já obtidos nos assentamentos ou na produção familiar”, acrescenta Cristiano.
No desenvolvimento do produto em si, a parte da caracterização físico-química do própolis da moça-branca está a cargo da química e doutora em Química Orgânica, Adriana Flach, da Universidade Federal de Roraima (UFRR). E as pesquisas contam também com a contribuição do biólogo e doutor em Biologia Genética, Ademilson Espencer Egea Soares, da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto (SP).
colméia de abelha
A quantidade de própolis produzida por uma colmeia de moça-branca, durante um ano, é de 432 gramas, em média. Parece pouco diante dos 100 a 300 gramas produzidos mensalmente por uma colmeia de abelha europeia ou africanizada (Apis melifera). Mas é preciso considerar que uma colmeia daquelas nativas tem cerca de 2 mil abelhinhas, enquanto uma colmeia de europeias chega a 40 mil insetos. Porém, a nativa não tem ferrão e é possível instalar 100 colmeias por hectare, enquanto a europeia tem (e usa) ferrão e só dá para ter 20 colmeias por hectare. Feitas as contas, noves fora, a produtividade das abelhinhas nativas fica só um pouco abaixo da europeia, mas os riscos ao produtor são bem menores.
Assim, vale a pena acompanhar os resultados dessa pesquisa. E aproveitar para comemorar o próximo Dia das Abelhas, neste sábado, 3 de outubro, com mais motivos para respeitar essas minúsculas e incansáveis operárias brasileiras!
Fotos: Cristiano Menezes (moça-branca levando resina nas patas para a fabricação de própolis, ao alto, e guarda na entrada da colmeia, acima)
Para saber tudo sobre abelhas e o Dia das Abelhas visite A.B.E.L.H.A. –  site da Associação Brasileira de Estudos das Abelhas 

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

Abelhas sem ferrão e microrganismos

Por: Cristiano Menezes* em Organics News Brasil
A estreita relação entre abelhas e os microrganismos é inquestionável. Como ocorre para muitos insetos, bactérias, fungos e leveduras parecem desempenhar um papel importante para a nutrição e a proteção das abelhas contra microrganismos prejudiciais. Os microrganismos são passados de uma geração de abelhas para a próxima, enquanto, associados com suas hospedeiras, eles encontram microambientes apropriados para viver e se reproduzir.
O tema deste artigo tem sido amplamente pesquisado com relação à Apismellifera, da qual mais de 6 mil cepas microbianas foram isoladas e identificadas (Gilliam, 1997). No entanto, a biologia e as funções dos microrganismos associados às abelhas são ainda obscuras e por vezes controversas.
Mandaguari (Scaptotrigonadepilis) – (Foto: Cristiano Menezes)
Mandaguari (Scaptotrigonadepilis) – (Foto: Cristiano Menezes)
Apesar de as abelhas sem ferrão compartilharem muitas semelhanças com a Apismellifera, este diferente e diverso grupo ainda esconde muitas particularidades que não foram exploradas. Aqui trataremos do papel dos microrganismos não patogênicos em colônias de abelhas sem ferrão e sua importância para a manutenção das abelhas.

Microrganismos conhecidos que residem em colônias de abelhas sem ferrão
Bactérias
Dois gêneros de bactérias foram identificados em colônias de abelhas sem ferrão. As mais comuns e sempre presentes são do gênero Bacillus. Estes microrganismos parecem desempenhar um papel importante na secreção de enzimas que causam a fermentação e a conversão dos componentes do pólen. Aparentemente, as enzimas têm duas funções principais: a pré-digestão do pólen (amolecendo a parede da exina) antes de ser ingerido e a alteração do pólen armazenado de modo que seja menos suscetível à proliferação de microrganismos prejudiciais. As fermentações acéticas e lácticas, que ocorrem no pólen e no mel, também são realizadas por estas bactérias.
pólen-Mandaguari-Scaptotrigona-depilis
Pólen da abelha sem ferrão Mandaguari ( Scaptotrigonadepilis ). Antes da fermentação, as bolotas de pólen ainda estão firmes e os grãos de pólen intactos (esquerda). Depois da fermentação,o pólen fica muito mais ácido e mais úmido.
Além da função aparente na digestão dos alimentos, Yoshiyama e Kimura (2009) encontraram fortes evidências de que espécies do gênero Bacillus também secretam antibióticos. Ao utilizá-las em ensaios de inibição in vitro, os autores demonstraram que as cepas de Bacillus do trato digestivo da Apisceranajaponica (abelha-do-mel-japonesa) inibe aPaenibacilluslarvae, que causa a American foulbrooddisease (cria pútrida americana).
Um estudo clássico sobre a biologia das abelhas sem ferrão indicou que a Meliponaquadrifasciata não pode sobreviver sem uma espécie de Bacillus encontrada no ninho (Machado, 1971). O Bacillus foi encontrado no pólen armazenado, no aprovisionamento de crias, no trato digestivo de larvas e em abelhas adultas, e de forma menos abundante no mel. Durante um mês, a colônia de estudo foi alimentada com xarope de açúcar misturado com estreptomicina, um antibiótico que matou espécies de Bacillus in vitro. Após o tratamento, as novas células de crias foram continuamente destruídas, e a colônia morreu após 30 dias.
Outro gênero de bactérias encontrado recentemente nas células de cria e materiais de ninho de colônias de abelhas sem ferrão é o Streptomycesactinomycete (Promnuan et al., 2009). Este gênero é bem conhecido por secretar antibióticos e aqueles encontrados nas abelhas sem ferrão Trigonalaeviceps e T. fuscobalteata apresentaram alta atividade inibitória contra a Paenibacilluslarvae e MelisococcusPlutonius, patógenos da A. mellifera, responsáveis pela cria pútrida americana e cria pútrida europeia, respectivamente.
Recentes contribuições demonstraram claramente o potencial das relações entre as abelhas e Streptomyces e sugerem que este tipo de relacionamento também pode ser encontrado em abelhas sem ferrão. Kaltenpoth et al. (2006) e Goettler et al. (2007) encontraram uma relação simbiótica entre uma vespa (Philanthustriangulum) e as bactérias do gênero Streptomycesque vivem nas glândulas antenais de vespas fêmeas. As bactérias são transmitidas dentro de células da cria antes do aprovisionamento larval e secretam nove substâncias antibióticas diferentes que protegem as larvas de fungos e outros patógenos (Kroiss et al. 2010). Sem as bactérias, as larvas da vespa não conseguem sobreviver.
Leveduras
Dez gêneros de levedura são conhecidos em colônias de abelhas sem ferrão. Os mais representativos são a Candida e aStarmerella, que ocorrem com muita frequência em pólen e em mel. Outros gêneros foram encontrados em abelhas adultas, própolis, em área de depósito de lixo da colônia e, raramente, em mel. Porém, como esses outros gêneros são geralmente encontrados em partes do ninho associadas com materiais externos, como própolis, pode-se supor que são contaminantes ocasionais de ambiente externo e plantas visitadas por abelhas (Lachance et al, 2001a, b; Rosa et al. 2003).
A importância das leveduras e os seus papéis potenciais para colônias de meliponíneos é semelhante às funções bacterianas; ou seja, elas secretam enzimas que convertem substâncias de alimentos armazenados e ajudam a preservá-los. A fermentação alcóolica também é um processo iniciado com a levedura. Ainda não está claro como as leveduras influenciam a nutrição das abelhas, mas as mudanças observadas no pólen armazenado são impressionantes.
Um papel interessante das leveduras foi descrito por Camargo et al., (1992). Leveduras do gênero Candida parecem desidratar o pólen armazenado pela abelha sem ferrão Ptilotrigonalurida. Este processo de desidratação é eficiente para evitar a deterioração e prevenir que os forídeos (Phoridae, Pseudohypocera) consumam pólen e causem sérios danos para a colônia dessa espécie de abelha.
Outros Fungos
Um estudo recente descreveu forrageiras de Tetragonulacollina colhendo esporos de Rhizopus sp. no lugar de pólen (Eltz et al., 2002). O mesmo comportamento também foi observado em abelhas Partamona. Observações semelhantes foram também percebidas por Roubik (1989), Burr et al. (1996) e Oliveira e Morato (2000). Eles descobriram que as operárias de abelhas sem ferrão lambem ou colhem uma massa mucilaginosa de cogumelos véu-de-noiva (Fungi, Phallales).
Ainda não se sabe o que motiva este comportamento. O valor nutritivo dos esporos é baixo se comparados ao do pólen, mas podem complementar sua dieta se a disponibilidade for alta e a colheita for relativamente fácil. De fato, tricomas vegetais (às vezes chamadas de pseudopólen) são colhidos de orquídeas Neotropicais por abelhas sem ferrão Partamona, Plebeia,Melipona e Trigona, e podem ter um papel semelhante (Davies, 2009).
Outro documento recente relata a ocorrência de vários fungos filamentosos isolados de abelhas operárias da Meliponasubnitida (Ferraz et al., 2008). Estas abelhas já estavam mortas de causas naturais quando foram coletadas, e a maioria dos microrganismos deve ser oportunista ao explorar as carcaças.
Recentemente, foi descoberto um relacionamento interessante entre um fungo e as abelhas. Um fungo filamentoso do gêneroMonascus cresce dentro das células da cria da Scaptotrigonadepilis na superfície do alimento das larvas e é comido pela larva em desenvolvimento.  A princípio, foi considerada uma doença, porque a cria da colônia estudada apresentava uma taxa de mortalidade alta. Contudo, recentes observações demonstraram que este fungo é muito abundante em colônias saudáveis deS.depilis e também ocorre com outras espécies de abelhas sem ferrão, tais como a Tetragonaclavipes e a Meliponaflavolineata. O fungo prolifera antes do ovo eclodir e cresce intensivamente até a larva alcançar três dias de idade. As larvas comem o fungo conforme ele cresce e testes experimentais mostram que as larvas dependem deste fungo para sobreviver, porque todas morreram quando o crescimento do fungo foi inibido experimentalmente. No momento, estamos investigando se o fungo está fornecendo benefícios nutricionais ou proteção contra microrganismos indesejados.
Os microrganismos, de uma forma geral, parecem ser fundamentais para a vida das abelhas sem ferrão, mas ainda não conhecemos quase nada sobre eles. O estudo dessas relações com as abelhas ainda gerará muitas descobertas inéditas e com grande possibilidade de aplicação. Podem ajudar a manter as colônias mais saudáveis e produtivas e ainda encontrar novas fontes de substâncias interessantes para o homem, como antibióticos e conservantes.
(Foto: Cristiano Menezes)
(Foto: Cristiano Menezes)
** Cristiano Menezes é biólogo e entomólogo, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Apucarana lança programa que incentiva a criação de abelhas sem ferrão

Volto a dizer: Um belo exemplo a ser seguido por todos os municípios!!

Publicado em 

Após a realização de vários cursos de formação, a Prefeitura de Apucarana lançou nesta segunda-feira (28/09) o Programa de Meliponicultura (Promelipo).

O incentivo ao cultivo das abelhas sem ferrão é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Agricultura, em parceria com a Associação de Meliponicultura de Apucarana (Amelipo) e o Instituto Saúde Natural. Atualmente, existem 49 produtores formados e, no mês de outubro, tem início um novo curso visando ampliar a capacitação.
De acordo com o secretário municipal de Agricultura, João Carmo da Fonseca, o programa prevê várias ações, como a implantação de um meliponário solidário e estudantil, além de um trabalho chamado de colmeia urbana que visa popularizar o conhecimento do cultivo da abelha sem ferrão. Também está prevista a implantação da Casa do Mel, um espaço coletivo destinado ao processamento e certificação do produto para a comercialização.
Fonseca afirma que o Município vem incentivando o cultivo da abelha sem ferrão desde 2013, viabilizando em parceria com a Amelipo e o Serviço de Aprendizagem Rural (Senar) cinco cursos de formação. “Foram repassadas técnicas de manipulação, extração do mel, captura e divisão das comeias, entre outras. A criação de espécies sem ferrão não gera riscos aos produtores e pode envolver todos os membros da família. Os principais objetivos da iniciativa são a preservação das abelhas nativas, educação ambiental e geração de renda a pequenos produtores”, frisa Fonseca.
O lançamento do programa também contou com uma palestra do professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Vagner de Toledo, especialista em abelhas e que integra a Câmara Técnica de Meliponicultura do Paraná. Toledo esteve acompanhado de Maria Vanderly Andrêa, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, que está desenvolvendo o pós-doutorado sobre as potencialidades e necessidades da cadeia apícola do Paraná.
De acordo com o professor da UEM, o cultivo da abelha sem ferrão ainda precisa ser regulamentado no Estado para que a atividade seja alavancada. “No Brasil, somente os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina regulamentaram a criação, enquanto a Bahia tem regulamentada a comercialização”, cita Toledo.
Segundo ele, a Câmara Técnica de Meliponicultura do Paraná está discutindo o assunto desde 2011 junto aos órgãos regulamentadores, como Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). “Temos produtores em quase todos os municípios do Estado, mas sem a regulamentação a atividade ainda é considerada como crime”, afirma Toledo.
Quanto à comercialização, ele afirma que o negócio ocorre, na maioria dos casos, informalmente no mercado. “No Paraná, apenas uma associação da região do Litoral do Estado conseguiu autorização da Adapar para comercializar, por isso praticamente não existe mel certificado e inspecionado à disposição nas farmácias, supermercados ou estabelecimentos de produtos naturais. O que existe, na maioria, são produtos comercializados informalmente”, observa.
Conforme Maurício Gregório, presidente da Aamelipo, existem cerca de 350 espécies de abelhas sem ferrão catalogadas no Brasil. “Em Apucarana, são encontradas principalmente a jataí, tubuna, mandaçaia e mandaguari”, cita, informando que, além da capacitação, a próxima ação que será desenvolvida junto aos produtores associados é a “primavera jataí”. “Nesta época elas começam a soltar os enxames, as novas famílias. É o momento para fazer a captura e colocar nas caixas”, explica.
O próximo curso iniciará no dia 26 de outubro, sendo que as aulas vão ocorrer a cada 15 dias no salão nobre da Prefeitura de Apucarana. “A continuidade da formação de produtores é uma das metas do programa de meliponicultura, pois já existem 70 produtores na lista de espera. O curso terá duração de 40 horas/aula, sendo 30 horas teóricas e outras 10 horas práticas”, afirma, salientando que as inscrições podem ser feitas na Secretaria Municipal de Agricultura e que a associação fornece as caixas para a captura dos enxames.